Das dores da Alma

Receber notícias tristes não é fácil, especialmente quando atingem quem nos é próximo.
É quase impossível não sofrer com as dores dos outros.
É quase impossível não doer.

E a vida que nos dá bênçãos, por vezes, tira-nos o tapete e faz-nos reconsiderar tantas prioridades.

Na minha família, materna e paterna, temos mais de 10 primos. Todos bastante mais velhos do que eu e a minha irmã, que somos as mais novas da família. Não temos Avós há muitos anos, faleceram quando ambas ainda éramos muito pequenas e não os recordo, nem lhes tenho saudade.

Também não somos muito chegadas a qualquer primo/a porque a vida (pela pessoa do meu Pai e o seu feitio extremo) nos afastou.

No entanto, agora adultas, tentamos manter mais contacto e um destes primos, agora com 51 anos, tem duas filhas pequenas do terceiro casamento. Uma delas com dois anos e meio. Internada há uma semana porque deixou de andar e perdeu a capacidade motora nas pernas. Duas ressonâncias magnéticas e muitos exames depois, o diagnóstico de hoje não podia ser mais desanimador: um tumor no cérebro, perto da vista que afecta a própria visão bem como o andar.

Tem de ir ao IPO fazer uma biopsia ao cérebro e o prognóstico não é de todo, bom. Pode ficar cega. Pode deixar de andar definitivamente. Pode morrer.
Aos dois anos e meio.
Nem sabe o que lhe está a acontecer.

Por seu lado, toda a família está em choque, choramos com eles, tentamos dar-lhes em abraços, a força que vamos tendo para partilhar, neste momento que é de dor comum. 

E se sofro por eles e com eles, não deixo de agradecer as minhas bênçãos, as minhas "sortes" na vida, que apesar de todas as minhas dores e tormentas, não deixo de me sentir abençoada e agradecida.

Amanhã irei dar um abraço a uma Mãe que definha perante o olhar impotente de um Pai (o meu primo) que se sente perdido neste mundo que nos consegue mostrar, a todos, que a Vida nem sempre nos sorri. 


O IVA

A sigla dos infernos contabilísticos a cada trimestre.
Pior só mesmo as empresas com IVA mensal.

É por causa desta maldita que ando afastada aqui desta sala do Reino.

Até dia 15 ao final do dia (espero e anseio por estes dias 15 de cada trimestre como quem aguarda por uma janela aberta depois de uma temporada enjaulada)

Pérolas no Trabalho

Caçula: Antes fosse o preto, esse é só quando não tenho mais nada.

Adenda: acerca de quais tipos de chocolate gostamos de comer








Véspera de Feriado

Foto minha: Camião vestido para o Halloween
Sobre as tradições:
Não aprecio os festejos de Halloween, não celebro e ainda que seja mãe de uma ferverosa adepta, fico sempre até à ultima à espera que lhe passe a "febre".
Este ano não pude fugir.
Tive de ir hoje, comprar uma série de apetrechos decorativos e uns acessórios para ela se "mascarar" de princesa vampira amanhã. 

O que mais gosto neste dia? Amanhã é feriado e vamos poder desfrutar mais um pouco uns dos outros.
E faz amanhã 11 anos que fui "apresentada" ao meu sogro, na sua última morada, onde pude chorar, junto com o meu marido, a falta que este homem faz na vida dos seus filhos, há tantos anos.

Ainda mencionando as tradições, na zona onde vivo celebra-se o Pão por Deus, ao invés do Halloween, com bastante devoção. Também não celebro. Assim como deixei de jejuar a carne no dia de finados e outros pecados que fui ensinada na infância a não cometer.

Pecado é ser hipócrita. É praticar e ser fiel a uma religião e viver no julgamento diário ao próximo, frequentar a Missa de Domingo e não exercer o Bem todos os dias da semana, sentir a fé é muito mais do que adorar santos e estátuas, é crescer interiormente e nesse crescimento influenciar positivamente as vidas dos que nos rodeiam.

Amanhã é feriado, iremos ceder um pouco à pressão dos pares e praticar uma espécie de fusão entre tradições, com o saquinho do Pão por Deus e uma princesa vampira de collants rotas e chapéu de bruxa pelas ruas de Mafra. Acima de tudo iremos crescer, como crescemos sempre que todos estamos juntos, ainda que em pensamento e saudade imensa.

Bom feriado pessoas lindas!


Pérolas no trabalho

Aqui no escritório vive-se em ambiente descontraído para equilibrar o stress causado pela azáfama de ter sempre o trabalho atrasado e as obrigações fiscais inerentes à contabilidade de quase 70 empresas.
Aqui no escritório somos 4 permanentes e um "volante" que nos visita uma vez por semana para nos ajudar com certas empresas.
Temos o nosso "Sultão-Mor" que tem 43 anos, é o mais picuinhas, muito metódico que agrafa os papéis milimetricamente e não permite erros. É o sultão porque inicialmente era o único homem, sem contar com o patrão. Canta bem e ri-se à gargalhada com as nossas parvoíces, muitas vezes fingimos que ele não é homem e partilhamos conversas como se fosse "nossa amiga".
Temos a nossa Caçula com 33 anos, que começou como estagiária, foi ficando e aprendendo, levou muitos raspanetes e hoje em dia, trata a contabilidade por "tu". É calada e fica corada com a maioria das baboseiras que eu digo à outra colega e ela a mim. Está grávida pela primeira vez e somos todos "tios e tias " orgulhosos e babados deste bebé tão ansiado.
Temos a "Tia-Mor" com 52 anos e uma figura invejável, personalidade vincada e que parece saída de uma revista VIP, é vistosa, não tem filtros nem papas na língua, é dona de uma gargalhada sonora contagiante, fala alto e criámos uma empatia imediata assim que nos chegou em Janeiro deste ano, parecendo que "vive cá" há anos nesta maluqueira que é trabalhar aqui.
Temos o sobrinho do Sultão-Mor com 27 anos, que faz outsourcing em Lisboa mas vem todas as semanas cá para se rir e se divertir enquanto trabalha com bastante competência e muito profissionalismo. É envergonhado, também cora e fica vermelho de tantas parvoíces que ouve, foi adoptado pela Tia-Mor e lhe chama "mãe" na brincadeira. 
Temos o patrão, com 44 anos, que nos deixa fazer o que queremos, podemos entrar à hora que quisermos desde que o trabalho esteja feito, sabe a sorte que tem nestas pessoas que lhe abrem a porta todos os dias e dão a cara pela sua empresa, "vestem" uma camisola que, por vezes, se torna muito justa e noutras bastante folgada, leva-nos a almoçar a todos, habitualmente ao sushi onde rimos e nos divertimos ainda mais.

Todos os dias, neste trabalho tão monótono e rotineiro, são divertidos.
Raramente nos zangamos uns com os outros, quase todos os dias nos zangamos ou aborrecemos com os clientes.
Todos os dias cantamos, rimos alto, gritamos, batemos palmas, contamos anedotas e fazemos a festa toda.
Todos os dias saímos a meio da manhã para tomar café e conversar.
Todos os dias nos encontramos no mesmo café ao almoço, para mais conversa, cujos temas nunca se esgotam.
Todos os dias chegamos com sorrisos e saímos com sorrisos, mesmo que o dia de trabalho tenha sido mentalmente esgotante, que nos doam os dedos de tanto teclar ou simplesmente porque demorámos mais de uma manhã ou tarde a arquivar um trimestre de uma empresa.
Todos os dias, aqui neste escritório são uma animação constante, entre brincadeiras mais apimentadas sem jamais ultrapassarmos aquele limite do respeito que todos temos e estabelecemos.
Todos os dias, faço quase 100 km para ir e vir, gasto muito gasóleo e dinheiro para vir trabalhar, não gosto desta área porque é precisamente oposta á minha veia artística mas faço-o bem e sinto-me realizada por ter descoberto um dom, recentemente, de conseguir cobrar todos os tostõezinhos que nos devem sem medos, nem receios, sendo directa e por vezes, até, agressiva e apelando à ameaça dos clientes ficarem sem serviço de contabilidade e multas nas finanças a acumular.
Por tudo isto, irá iniciar-se aqui, neste Reino que também abrange o meu trabalho, uma nova rubrica.
Pérolas no trabalho, para que se divirtam connosco.

Por aqui no Reino


    O cansaço acumulado tem-se feito sentir, pela manhã na pouca vontade de acordar e levantar, naquela azáfama rotineira, no meio da tarde chega o sono, os olhos pesam, a cabeça em contradição fica leve, o corpo pede cama às 17h, o regresso a casa que demora 1h de viagem só para chegar à escola da L. antes que feche e seja a última a sair, a pressa em subir apenas 1km de estrada para rever o sorridente M., carregar a mala, o saco e mochila e bebé nos braços, às vezes os sacos de compras que se fizeram a correr durante o almoço sem almoçar, as chaves que caem, a filha que já anda na Universidade da Birra a tirar um Mestrado, o jantar por fazer, os banhos por dar, a roupa que não se lava sozinha, tão pouco se arruma nos seus lugares, assim como a loiça, os chinelos e sapatos, os brinquedos que se vão deixando pontapear no corredor, à mesa mais birra a multiplicar por dois, às vezes por três ou quatro, as rotinas do deitar são as mais fáceis, desde sempre, valha-nos isso, o sentar no sofá só um bocadinho para relaxar e pensar no tanto que ainda falta fazer e nem saber como o corpo conseguiu ir parar à cama, tal é o cansaço. 

    Uma fase que passará. 
    Pelo meio, um mimo que sabe mais doce, um almoço inesperado com o marido para aproveitar e pôr a conversa em dia ou simplesmente olhar-mo-nos e percebermos, no nosso silencioso olhar, numa perfeita sintonia, o quanto nos amamos, uma mensagem de genuína preocupação de alguém que nos é mais do que amigo, passou a fazer parte da nossa "árvore da família", com quem rimos, desabafamos e partilhamos mais do amizade, partilhamos afinidade, cumplicidade.
    E a pouco e pouco o cansaço se esfuma, numa nuvem que deixa de pairar aqui.

Mini-Pérolas Visuais

Foto minha: amanhecer em Mafra (25/10/2017)
Se bem que a foto não é nada de especial, o acontecimento idem porque acontece todos os dias.
Dou-lhe o título de Mini-pérola graças a D. M. que-abre-a-pestana-antes-das-seis-da-manhã. 
Tenho um filho que madruga e ele tem uma mãe que continua a adorar dormir.
Incongruente? Deveras. 
Hoje ao chegar à sala com ele, ainda bem escuro, decidi que iria fotografar o amanhecer, algo que todos os dias o meu filho me oferece e raramente me dedico a apreciar.
O cansaço é extremo.
O sono é crónico.
E a vida acontece de novo a cada dia.
Por tudo, agradeço.
Ao meu el-Reizinho D. M.